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“E se meu filho autista passar por uma situação de violência na escola?”

A escola deve ser um espaço seguro, de acolhimento e respeito à diversidade. No entanto, nem sempre isso acontece na prática — e infelizmente, muitas famílias de crianças autistas se deparam com situações difíceis, como conflitos entre alunos, episódios de exclusão ou mesmo atitudes inadequadas por parte de profissionais da escola.

Quando uma criança é exposta a qualquer situação que comprometa sua integridade física ou emocional, é fundamental saber como agir. A legislação protege a criança com deficiência, e a escola tem responsabilidades que vão muito além do ensino.

1. Documente a situação

Se houver algum incidente, reúna todas as informações possíveis:

  • Relato da criança, se ela conseguir expressar
  • Registro de comportamentos diferentes após o ocorrido
  • Fotos ou laudos médicos, se houver qualquer tipo de lesão
  • Relatos de testemunhas ou outros responsáveis
  • Comunicados da escola ou prints de conversas

Esses registros ajudam a construir uma narrativa clara do que aconteceu.

2. Formalize a comunicação com a escola

Mesmo que você já tenha falado com a coordenação ou professores, é essencial enviar um relato formal por e-mail ou carta registrada.

Nessa comunicação, você pode:

  • Descrever a situação de forma objetiva
  • Solicitar apuração interna
  • Pedir providências protetivas à criança
  • Exigir acompanhamento escolar ou pedagógico, se necessário

A escola tem a obrigação de oferecer um ambiente seguro e inclusivo para todos os alunos.

3. Considere registrar um boletim de ocorrência

Nos casos mais graves — como quando há sinais de lesão física, negligência ou exposição à situações de risco — é possível registrar um boletim de ocorrência na Delegacia da Criança e do Adolescente.

Esse registro é importante mesmo que não haja intenção de processar ninguém naquele momento. Ele serve como proteção e pode ser usado no futuro, se necessário.

4. Acione o Conselho Tutelar

Caso a escola não tome providências ou demonstre omissão, você pode procurar o Conselho Tutelar. Esse órgão tem o dever de agir em casos onde os direitos da criança estão sendo ameaçados ou violados.

5. Busque orientação jurídica

Dependendo do caso, pode ser necessário:

  • Acionar o Ministério Público
  • Pedir a responsabilização civil da escola
  • Solicitar medidas protetivas
  • Garantir apoio psicológico especializado à criança

A atuação jurídica especializada pode ser fundamental para garantir os direitos da criança e evitar que novas situações aconteçam.

O que a lei diz?

A Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015) e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem à criança com deficiência:

  • Proteção contra qualquer forma de negligência, discriminação, violência ou crueldade
  • Acesso à educação inclusiva em igualdade de condições
  • Direito a medidas de apoio, como mediador escolar

Negligenciar essas garantias pode configurar violação de direitos e gerar responsabilização da escola.

Conclusão

Vivenciar ou descobrir que seu filho passou por uma situação delicada dentro da escola é doloroso. Mas é importante lembrar: você não está sozinha. Existem ferramentas legais, instituições e profissionais preparados para apoiar sua caminhada.Se você suspeita que algo está errado ou já sabe de uma ocorrência, não hesite em buscar ajuda e agir com firmeza e carinho ao mesmo tempo. Proteger uma criança é também transformar o ambiente que a cerca.

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